SINDSIFPE, QUINTA-FEIRA, 20 DE JUNHO DE 2019

Não estamos em segurança! Os poderosos não aceitam a nossa luta! Eles querem que paremos de incomodar!

A chamada é enfática, forte, mas necessária!

O obscurantismo instalado no Brasil e a grave perseguição aos movimentos sociais, paredistas e às minorias, nos coloca em estado de alerta! Marielle e Anderson ainda não descansam sob a falida esperança na justiça e outros de nós correm o risco da repressão, da perseguição, do atentado à liberdade e à vida.

Assumimos a Coordenação do SINDSIFPE com a tarefa de reconstruir um sindicato importante para a organização da categoria representada por este em um período turbulento de nossa história. Mesmo não havendo por nossa parte nenhuma experiência com a representação de classe, nos dispusemos e desde então trabalhamos ferrenhamente a ideia de que a construção deve ser coletiva, tentando aproximar a base e mobilizar a amplitude territorial representada por essa entidade.

Em unidade com outras categorias, entidades, representações sociais das mais diversas, colocamos, junto à nossa base, a cara no sol para o afronte às tentativas de desmonte do Estado operacionalizadas por aqueles que estão no andar de cima. Com muita cautela, diálogo e decisões coletivas. É dever nosso defender a estrutura que nos foi reservada à luta.

Quanto mais ataques vêm, mais percebemos a importância da coletividade neste processo de embate. O sindicato é a nossa alternativa de organização coletiva. Sem a coletividade não existe sindicato e o sentido da entidade se esvai.

Temos percebido, em algumas ocasiões, que estamos sendo mapeados, observados e isso se dá pela tentativa de aniquilação dos nossos instrumentos de luta. A organização da classe trabalhadora incomoda quem se mantém no poder explorando a força de trabalho do povo e a reforma trabalhista já em vigência ocasionou o fechamento de vários sindicatos das mais diversas categorias de trabalhadores celetistas. Não diferente, a edição da Medida Provisória nº 873, de Jair Bolsonaro, tentou interferir em nossa autonomia financeira, em mais uma tentativa de desmonte dos sindicatos.

Em 24 de maio, Bolsonaro esteve em Pernambuco e houve manifestações de repúdio a sua presença, na entrada do Instituto Ricardo Brennand, próxima a sede do SINDSIFPE. A Polícia Militar, fortemente armada e com a participação dos batalhões especiais, reprimiu manifestantes, trabalhadorxs, estudantes e moradorxs que circulavam naquele local. Fomos agredidxs ao tentar ter acesso à sede. Neste mesmo dia, antes das manifestações iniciarem, identificamos a presença de um carro estacionado na saída da sede, de onde desceu um cidadão que ficou observando o movimento acontecer e que, ao final da manifestação, retirou o carro do portão. Encucados com a presença do carro, fotografamos a placa e pesquisamos no Detran a procedência do veículo. Identificamos que a placa do veículo é inexistente no banco de dados do Detran.

Uma semana depois, o mesmo cidadão estacionou outro veículo na entrada da sede e ficou por lá observando as movimentações.

No último dia 14, dia da Greve Geral, um veículo com película escura em todos os vidros (inclusive no da frente), estacionou na frente do Campus Recife enquanto acontecia o bloqueio do acesso ao Campus. Desta vez saiu outro homem que ficou entrando e saindo do veículo, observando os manifestantes por horas.

Embora estejamos nos esforçando para acreditar na aleatoriedade dos movimentos, a similaridade dos ocorridos nos chama atenção e nos coloca em estado de alerta. Diante disto, decidimos expor à comunidade o que vem acontecendo porque acreditamos que a nossa atividade sindical corre risco, que a estrutura do nosso sindicato corre risco e carecemos da defesa coletiva deste espaço.

Em nossa última rodada de assembleias, destacamos a campanha de filiação que estamos fazendo. Chamar a categoria para dar as mãos sob o contexto de ataque é dever irrestrito daqueles que já estão em unidade de ação. Entendemos que é o momento de fortalecimento da entidade e de nossa força coletiva.

Enfatizamos, também, a importância de nos aproximarmos de outras organizações e de abrir as nossas portas. A coletividade à qual nos referimos não se finaliza dentro dos nossos muros. Os ataques vêm por todos os lados, mas não é o momento de se fechar ao medo. Outros coletivos, movimentos, organizações diversas, sofrem com os mesmos ataques aos quais seguimos resistindo e a solidariedade de classe é um caminho para unificarmos nossa luta.

Esta Coordenação que aqui se coloca, não recuará diante dos ataques e tentativas de intimidação, mas convocamos a base para atuarmos juntos na defesa do que representa a organização da nossa categoria junto ao SINDSIFPE. A entidade que hoje coordenamos é patrimônio das trabalhadoras e dos trabalhadores do IFPE e atuando juntxs podemos protegê-la e nos protegermos uns/umas aos/às outrxs.

Diretoria Executiva
Gestão: Renovação na Luta e Pela Base
SINDSIFPE